Como se não bastasse a gorda que vive em mim dando presença o tempo todo (todo dia, quando chego ao hotel, ela me compele para os pacotes de castanha de caju no frigobar!), agora "A Pobre” que vive em mim também não me deixa em paz! Ai, ai... 
No outro final de semana fiquei em Fortaleza. Domingão ensolarado. Tomo café e resolvo dar uma caminhada
. Isso era por volta das 10h, mas o sol já queimava como se fosse meio-dia!
Me sentindo um esquimó no Senegal, pensei: “tenho de comprar um protetor...” e foi com esse pensamento me dirigi à farmácia mais próxima (que na verdade nem é tão próxima assim!).
Chego lá, pego um encarte promocional onde se lê “grande promoção especial de protetores”, olho os preços e, subitamente, ouço uma voz em mim: “vixi, 24 aqüé num protetor na promoção?! ‘Tá louca a senhora, 'tá
?!”, era ela: A Pobre. A Pobre baixando! “Ah, não! Vá a outra farmácia!” ela continuou tomando conta de mim... por mais que eu tentasse, não consegui subjugá-la e acabei por dar ouvido a ela! E o pior é que foi mais de uma vez! Resultado: peregrinei por quase duas horas embaixo de um sol escaldante, sem protetor!
Passei por umas oito drogarias até chegar a uma da mesma rede da primeira e comprar o protetor por 24 arus... (e a pobre ainda tentou me fazer comprar um protetor de uma marca que ninguém conhece pq estava um aqüé e meio mais barato! Posso?! Mas dessa vez eu me amotinei e comprei o outro mesmo! Eu hein, te conheço?!) 
E para finalizar, euzinha cansada, com a minha bela caminhada na orla transformada numa via Crúcis mesmo, resolvi voltar pro hotel. E lá vou eu, toda ardida... e como ia ter que voltar tudo o que andara embaixo do sol, achei melhor passar logo o protetor e foi o que fiz: sentei num banco, prendi o muco num coque no alto da cabeça e me lambuzei com o protetor... (confesso que a sensação de passar aquilo suada não foi das melhores!
). Mas 'tá... pois bem, já com o rosto, pescoço, ombros e braços devidamente protegidos, sigo eu, linda e loira
. “Ah, tenho de ir ao banco”, pensei. “Hum, tem um logo ali!
”, constatei. Mas era ali bem em frente a uma obra da prefeitura na qual uma escavadeira abria uma trincheira na rua
.
Abre parêntese: aqui venta MUITO! Fecha parêntese.
Agora o que vocês acham que deu a combinação euzinha besuntada com protetor solar, uma escavadeira revolvendo a terra e vento forte
? Resposta: Chokito de chocolate branco!
Eu, ruiva e radiante, coberta por flocos crocantes! Viado, era poeira, terra, capim tudo grudado em mim!
PQP!
E lá volto eu andando sob o sol de meio-dia, pela Aldeota, um bairro chique daqui, toda suja, parecendo que tinha me espojado no chão... ninguém merece!
SS humilde e (d)espojada.